O BPC Autismo é um benefício assistencial que garante um salário mínimo mensal a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de baixa renda, sem necessidade de contribuição para o INSS.
Na prática, o benefício funciona como uma segurança financeira para famílias que precisam de apoio para custear terapias, cuidados e despesas essenciais do dia a dia.
Se você é pai, mãe ou responsável por uma pessoa com autismo, este guia completo vai te ajudar a entender tudo sobre o BPC: quem tem direito, quais são os requisitos, como solicitar e o que fazer em caso de negativa do INSS.
- 1 O que é o autismo (TEA)?
- 2 O que é o BPC (Benefício de Prestação Continuada)?
- 3 Quem tem direito ao BPC autismo?
- 4 Como posso solicitar o BPC para autistas?
- 5 Como solicitar o BPC para autistas?
- 6 Como funciona a perícia para BPC autismo?
- 7 Documentos Necessários para a Solicitação
- 8 Como deve ser o laudo médico para o BPC?
- 9 Porque o INSS nega LOAS para autistas?
- 10 Benefícios adicionais para pessoas com autismo
- 11 Direitos das pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista)
- 12 Como a Bocchi Advogados pode te ajudar com BPC/LOAS
- 13 Perguntas Frequentes sobre BPC para autismo
O que é o autismo (TEA)?
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social da pessoa, variando do leve ao severo conforme o nível de suporte necessário:
- Dificuldades na comunicação verbal e não verbal
- Comportamentos repetitivos e interesses restritos
- Desafios para lidar com mudanças e estímulos sensoriais
É chamado de “espectro” porque se manifesta de maneiras muito diferentes em cada pessoa, com uma ampla variedade de características e níveis de necessidade de suporte, o que pode gerar direito ao BPC/LOAS.
Quais são os níveis de suporte do TEA?
Os níveis de suporte classificam o autismo conforme a intensidade das dificuldades e o grau de apoio diário que a pessoa precisa para realizar atividades básicas:
- Nível 1: precisa de pouco apoio
- Nível 2: precisa de apoio substancial
- Nível 3: precisa de apoio muito substancial
Essa classificação ajuda o INSS a analisar como o TEA afeta a autonomia e a participação social:
Nível 1 de apoio do TEA
Conhecido como autismo leve, pessoas no nível 1 geralmente conseguem realizar tarefas do dia a dia, mas enfrentam dificuldades claras de socialização e organização, exigindo algum apoio para manter a rotina:
- Comunicação pode ser objetiva, porém pouco flexível.
- Dificuldade em lidar com mudanças e imprevistos.
- Interesses restritos que podem atrapalhar atividades sociais.
Mesmo sendo o nível mais leve, ele pode gerar limitações importantes — especialmente em contextos sociais e escolares.
Nível 2 de apoio do TEA
O nível 2 envolve maiores desafios na comunicação, comportamento e autonomia, exigindo apoio substancial no cotidiano para que a pessoa consiga realizar atividades básicas:
- Dificuldade marcante para manter conversas e interações sociais.
- Comportamentos repetitivos mais evidentes, que interferem na rotina.
- Limitações importantes para lidar com mudanças e estímulos sensoriais.
O impacto funcional é maior e costuma exigir supervisão constante em várias tarefas.
Nível 3 de apoio do TEA
O nível 3 representa o grau mais severo do espectro, caracterizado por dependência intensa e necessidade de apoio muito substancial em praticamente todas as atividades diárias:
- Comunicação verbal e não verbal muito limitada ou ausência de fala funcional.
- Comportamentos repetitivos intensos, que prejudicam a segurança e autonomia.
- Forte dificuldade para lidar com ambientes novos, barulhos, toques e mudanças.
Nesse nível, o autista requer supervisão contínua, sendo comum a necessidade de cuidadores e acompanhamento especializado.
O que é o BPC (Benefício de Prestação Continuada)?
O Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), é um benefício assistencial pago pelo Governo Federal, através do INSS.
O BPC garante o valor de um salário mínimo mensal para idosos com 65 anos ou mais e para pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem não possuir meios de se sustentar, nem com a ajuda da família.
No caso do autismo, o BPC existe para garantir proteção financeira quando o transtorno limita a autonomia e o acesso pleno à vida em sociedade.
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Quem tem direito ao BPC autismo?
Para ter direito ao BPC LOAS autismo, é preciso preencher 2 requisitos principais:
- Deficiência: A pessoa deve ter o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), que é considerado uma deficiência de longo prazo. Essa condição deve ser comprovada por meio de laudo médico detalhado.
- Vulnerabilidade Social (Renda): A renda por pessoa do grupo familiar deve ser igual ou inferior a 1/4 do salário mínimo vigente.
Crianças com autismo também têm direito, e a análise levará em conta a renda de toda a família.
Não é necessário ter contribuído para o INSS para solicitar o BPC Deficiente, pois ele é um benefício assistencial, não uma aposentadoria.
Critérios de Renda para o BPC
A renda familiar deve mostrar que a pessoa com autismo vive em vulnerabilidade social, sendo avaliada por meio do CadÚnico e dos documentos do grupo familiar:
- Considera-se a renda por pessoa da família, calculada pela soma dos rendimentos dividida pelo número de moradores.
- O limite padrão é ¼ do salário mínimo por pessoa, mas pode ser flexibilizado quando há gastos essenciais ou necessidades especiais.
- Despesas com saúde, medicamentos e terapias podem ajudar a demonstrar vulnerabilidade.
A Justiça tem entendido que gastos extras com a condição da pessoa com autismo, como medicamentos, terapias, alimentação especial e fraldas, podem ser abatidos do cálculo da renda familiar BPC.
Isso significa que, mesmo que a renda ultrapasse um pouco o limite, ainda é possível conseguir o benefício se a família comprovar que tem despesas elevadas por causa do TEA.
Qual é o valor do BPC/LOAS para autistas?
O valor do BPC para pessoas com autismo é sempre de um salário-mínimo mensal, sem adicionais.
Esse valor é atualizado anualmente, de acordo com o reajuste do salário mínimo.
O benefício não paga 13º salário e não gera direito à pensão por morte.
Como posso solicitar o BPC para autistas?
É possível solicitar o BPC para autistas em 3 canais de atendimento do INSS:
- Pelo portal ou aplicativo Meu INSS
- Pelo telefone 135 da Previdência
- Presencialmente em uma agência do INSS
Em todo os caso, o primeiro passo, e um dos mais importantes, é garantir que a família esteja inscrita e com os dados atualizados no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
Como solicitar o BPC para autistas?
Seguir o passo a passo de como solicitar BPC autismo on-line pelo Meu INSS:
- Inscrição no CadÚnico: Antes de tudo, procure o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da sua cidade para se inscrever ou atualizar o CadÚnico. Leve os documentos de todos os membros da família.
- Acesse o Meu INSS: Baixe o aplicativo no seu celular ou acesse o site Meu INSS.
- Faça o login com sua conta Gov.br, com CPF e Senha.
- Faça o Pedido: Na tela inicial, clique em “Novo Pedido”.

- Escolha o Benefício: Encontre a opção “Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência” e selecione essa opção.

- Preencha os Dados: O sistema pedirá para você atualizar suas informações de contato. Em seguida, preencha todos os dados solicitados sobre o requerente e o grupo familiar.
- Anexe os Documentos: Digitalize e anexe todos os documentos BPC autismo, como laudo médico, CPF, comprovante de residência, entre outros.
- Agende a Perícia: Ao final, o sistema irá direcioná-lo para agendar as avaliações necessárias: a perícia médica e a avaliação social.
- Acompanhe o Pedido: Após a solicitação, acompanhe o andamento pelo próprio Meu INSS.
Agora que você já sabe como dar entrada no BPC autismo pela internet, vamos ver como é a perícia no INSS:
Como funciona a perícia para BPC autismo?
A avaliação do BPC para pessoas com autismo é dividida em duas etapas, realizadas por profissionais do INSS:
- Perícia Médica: Um perito médico do INSS irá avaliar os laudos e exames apresentados e conversar com o requerente (e seus responsáveis) para confirmar o diagnóstico de TEA e entender como a condição afeta suas habilidades e sua participação na sociedade. O objetivo é verificar se o autismo causa impedimentos de longo prazo.
- Avaliação Social: Um assistente social irá realizar uma entrevista para analisar o contexto social e econômico da família. Ele irá avaliar as barreiras enfrentadas no dia a dia em razão do autismo, a estrutura familiar, as condições de moradia, os gastos com saúde e educação e a dinâmica de acesso a serviços, confirmando a situação de vulnerabilidade.
A soma dessas duas perícias é chamada de avaliação biopsicossocial, que tem como objetivo avaliar como o autismo afeta a autonomia, interação social e participação em atividades do dia a dia, além da situação econômica da família.
Documentos Necessários para a Solicitação
Ter a documentação organizada é fundamental. Separe os seguintes documentos BPC autismo:
- Documento de identificação com foto (RG, CNH) e CPF do requerente e de todos os membros da família.
- Comprovante de residência atualizado.
- Cadastro Único atualizado e comprovante de participação no CRAS.
- Laudo médico autismo completo e atualizado, especificando o CID F84.0.
- Relatórios de outros profissionais que acompanham a pessoa com TEA: fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, neuropediatria, psiquiatria
- Comprovantes de despesas médicas, como receitas de medicamentos, notas fiscais de tratamentos e terapias.
Quanto mais completos e organizados forem os documentos, mais clara será a comprovação do direito ao benefício.
Como deve ser o laudo médico para o BPC?
O laudo médico é o documento mais importante do seu processo. Ele deve estar legível, sem rasuras e conter principalmente:
- Identificação do médico com CRM e especialidade
- Diagnóstico claro com o código da Classificação Internacional de Doenças (CID), como o F84.0 (TEA).
- Descrição das limitações funcionais: comunicação, interação, comportamento e autonomia. O médico deve explicar como os sintomas do TEA impedem ou dificultam a execução das atividades no dia a dia.
- Indicação do nível de suporte (1, 2 ou 3).
- Histórico clínico, tratamentos e evolução do quadro.
- Informações sobre terapias necessárias e frequência de acompanhamento.
- Data de emissão, assinatura e carimbo do médico (a assinatura pode ser eletrônica).
Um laudo completo facilita a perícia e reduz a chance de atraso ou negativa injusta.
O que fazer se o laudo médico não for aceito?
Se o INSS considerar o laudo insuficiente, não desista.
Você pode solicitar um novo laudo ao médico, pedindo para que ele detalhe melhor as informações exigidas.
É recomendado anexar relatórios de outros profissionais que acompanham o caso, como psicólogos e terapeutas, também ajuda a fortalecer a comprovação da deficiência e suas barreiras.
Porque o INSS nega LOAS para autistas?
O INSS normalmente nega o LOAS para os autistas pelos seguintes motivos:
- Renda familiar superior ao limite: O cálculo da renda por pessoa ultrapassou o teto de 1/4 do salário mínimo.
- CadÚnico desatualizado: Informações incorretas ou desatualizadas no Cadastro Único.
- Laudo médico incompleto: O laudo não continha informações suficientes para o perito do INSS comprovar a deficiência de longo prazo.
- Documentos incompletos: Falta de relatórios de profissionais (fono, TO, psicologia, neuropediatra) e ausência de comprovantes de renda.
- Não comparecimento à perícia: Faltar na perícia médica INSS ou na avaliação social agendada.
Muitas negativas são injustas e podem ser revertidas na Justiça, já que o INSS frequentemente falha em reconhecer o TEA como deficiência ou ignora despesas da família no cálculo da renda.
BPC autismo negado: o que fazer?
Embora o recurso no próprio INSS seja possível, o caminho mais eficaz para autistas que tiveram o benefício indeferido geralmente é a Justiça, que costuma reconhecer o TEA como deficiência e considerar as despesas reais da família.
Além disso, na justiça a pessoa é avaliada por um perito médico especialista na deficiência e um assistente social de confiança do Juiz, o que garante uma análise mais justa das limitações e necessidades do autista.
Benefícios adicionais para pessoas com autismo
Além do BPC, pessoas com autismo podem ter direito a outros benefícios, principalmente se elas contribuírem para o INSS:
- Auxílio-doença autismo para períodos de incapacidade temporária.
- Aposentadoria por invalidez quando há incapacidade permanente para o trabalho.
- Aposentadoria da Pessoa com Deficiência (PcD) para quem, mesmo com autismo, trabalha ou contribuiu para o INSS.
- Auxílio-inclusão para beneficiários do BPC que ingressam no mercado de trabalho.
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Direitos das pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista)
A Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, garantindo direitos como:
- Acesso à saúde, com diagnóstico precoce, terapias e tratamento multidisciplinar pelo SUS.
- Atendimento educacional inclusivo, com possibilidade de acompanhante especializado quando necessário.
- Proteção contra abuso, negligência e discriminação
- Prioridade de atendimento em órgãos públicos e estabelecimentos privados.
- Acesso a benefícios sociais, como o BPC/LOAS e outros auxílios.
- Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CIPTEA) para facilitar comprovação de direitos.
- Atendimento especializado em serviços de assistência social, como CRAS e CREAS.
- Direito ao transporte público gratuito, conforme legislação local.
- Isenções e benefícios fiscais em situações específicas (como IPVA e IPI).
Esses benefícios assistenciais e de saúde garantem proteção, autonomia e participação plena da pessoa com autismo em todas as áreas da vida.
Como a Bocchi Advogados pode te ajudar com BPC/LOAS
Lidar com a burocracia do INSS pode ser um desafio e um advogado especializado pode fazer toda a diferença para garantir seus direitos.
A Bocchi Advogados pode te ajudar em todas as etapas do processo:
- Análise completa do caso: Verificamos se você preenche todos os requisitos antes mesmo de dar entrada no pedido.
- Orientação sobre a documentação: Auxiliamos na organização de todos os documentos necessários para fortalecer sua solicitação.
- Entrada do pedido: Realizamos o requerimento da forma correta, evitando erros que poderiam levar à negativa.
- Orientação sobre Perícias: A etapa de avaliação é onde ocorre a maioria das negativas, por isso preparamos o cliente para agir com segurança no dia da perícia médica e social.
- Mandado de Segurança: Atuamos contra a demora excessiva na análise do pedido, obrigando o INSS a decidir rapidamente.
- Recursos e Ações Judiciais: Caso o benefício seja negado, atuamos na elaboração de recursos administrativos e, se necessário, ingressamos com uma ação judicial para reverter a decisão.
Contar com suporte profissional aumenta significativamente as suas chances de sucesso e te dá a tranquilidade de saber que seus direitos estão sendo defendidos por especialistas.
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Perguntas Frequentes sobre BPC para autismo
Separamos as dúvidas mais comuns sobre BPC e direitos autistas, com respostas objetivas, principalmente sobre BPC para crianças autistas:
Todos os níveis de suporte do autismo (1, 2 e 3) podem dar direito ao BPC. A análise do INSS não se baseia apenas no “grau”, mas sim no impacto que o autismo causa na vida da pessoa e na comprovação da vulnerabilidade social da família.
Crianças com TEA têm direito quando o transtorno limita a autonomia da criança e a renda familiar é baixa.
Não existe um “grau” específico de autismo que garanta o benefício automaticamente. O direito ao BPC/LOAS é determinado pela combinação da deficiência (autismo) com a situação de vulnerabilidade socioeconômica da família, avaliada pelo INSS.
O CRAS é a porta de entrada para a assistência social, oferecendo orientação sobre benefícios como o BPC e o Bolsa Família. É no CRAS que se realiza a inscrição e a atualização do CadÚnico, passo obrigatório para solicitar o BPC.
Sim, assim como qualquer BPC, se o INSS entender que não há impedimentos de longo prazo ou que a renda familiar ultrapassou o limite permitido.
Legalmente, o INSS tem até 90 dias para analisar e dar uma resposta ao pedido de BPC após a realização de todas as etapas. Se estiver demorando, normalmente é recomendado entrar com um Mandado de Segurança.
Sim é possível ter o BPC autismo nível 1, pois o que é avaliado não é o grau da doença, mas sim os impedimentos que ela trás na vida da pessoa.
Sim, é possível ter BPC autismo adulto, pois o INSS não analisa a idade, mas sim as limitações de longo prazo e a baixa renda.

