Enfisema pulmonar dá direito à aposentadoria? Veja os direitos no INSS

DPOC aposenta
Compartilhe

Sim. Quem tem enfisema pulmonar pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente ou a outros benefícios do INSS, desde que a doença cause incapacidade total e definitiva para o trabalho. O que decide é o grau da doença avaliado na perícia médica, não só o diagnóstico.

Um laudo que mostra como a falta de ar limita a rotina e a profissão aumenta muito a chance de o INSS reconhecer o direito à aposentadoria por enfisema pulmonar.

O que é enfisema pulmonar?

O enfisema pulmonar é uma doença crônica que destrói os alvéolos, as pequenas bolsas de ar onde o sangue recebe oxigênio. Ele faz parte do grupo da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e, diferente de uma crise respiratória passageira, causa lesões permanentes: o tratamento controla os sintomas, mas não recupera o pulmão já afetado.

Falta de ar, chiado, tosse e respiração ofegante são os sintomas mais comuns do enfisema pulmonar, segundo o Ministério da Saúde. O cigarro é o principal causador, mas a exposição constante a poeira, poluentes e vapores químicos também contribui, o que é comum em profissões como pintor, soldador e trabalhador de mineração.

🩺 O INSS avalia o enfisema, assim como outras sequelas pulmonares que podem aposentar, pelo quanto ele limita o trabalho, e não apenas pelo nome da doença.

Enfisema pulmonar dá direito à aposentadoria por incapacidade permanente?

Sim. O enfisema pulmonar dá direito à aposentadoria por incapacidade permanente quando a perícia médica do INSS conclui que a doença impede, de forma total e definitiva, qualquer trabalho que garanta o sustento. É o caso de quem sente falta de ar em pequenos esforços e não pode ser reabilitado para outra função.

Quem se filiou ao INSS já com o enfisema pulmonar incapacitante não tem direito ao benefício, a não ser que a doença tenha piorado depois da filiação.

Quando o enfisema pulmonar gera auxílio por incapacidade temporária?

O enfisema pulmonar gera auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) quando uma crise ou uma fase moderada da doença afasta o segurado do trabalho, mas com chance de melhora.

O INSS concede o auxílio por incapacidade temporária por prazo determinado e pode convocar novas perícias para revisar o quadro. Quando o tratamento controla a falta de ar, o segurado volta ao trabalho e o benefício termina.

Se a perícia constatar que o enfisema pulmonar avançou e a incapacidade se tornou definitiva, o auxílio por incapacidade temporária pode ser convertido em benefício por incapacidade permanente.

Enfisema pulmonar dá direito ao BPC/LOAS?

Enfisema pulmonar tem direito ao LOAS se cumpridos os requisitos da Lei 8.742/93:

  1. Deficiência de longo prazo: limitação respiratória que impeça a vida social e o trabalho em igualdade com os demais.
  2. Baixa renda familiar: renda por pessoa de até 1/4 do salário mínimo, com o CadÚnico atualizado.

No BPC/LOAS para idoso, quem tem 65 anos ou mais não precisa comprovar deficiência: basta cumprir o critério de renda.

💡 O BPC/LOAS é um benefício assistencial para quem tem enfisema pulmonar, e não uma aposentadoria, por isso não exige que a pessoa tenha contribuições para o INSS.

Quem tem enfisema pulmonar pode ter aposentadoria PcD?

A aposentadoria da pessoa com deficiência (PcD) é uma opção para quem tem enfisema pulmonar, mas continua trabalhando com limitação respiratória. Diferente da aposentadoria por incapacidade permanente, ela não exige que a pessoa esteja incapaz: exige tempo de contribuição na condição de PcD.

Na aposentadoria PcD por idade, o homem precisa de 60 anos e a mulher de 55, com 15 anos de contribuição como pessoa com deficiência. Na modalidade por tempo de contribuição, a Lei Complementar 142/2013 exige um tempo que varia conforme o grau:

Grau da deficiênciaHomemMulher
Grave25 anos20 anos
Moderado29 anos24 anos
Leve33 anos28 anos

♿ O INSS frequentemente não aplica a lei da aposentadoria PcD de forma correta, principalmente na definição do grau da deficiência e forma de cálculo, por isso o resultado da avaliação merece revisão técnica.

Quais fatores o INSS avalia no caso de enfisema pulmonar?

No caso de enfisema pulmonar, o perito do INSS avalia o quanto a falta de ar compromete o trabalho, e não apenas o diagnóstico, analisando principalmente:

  • Grau da limitação respiratória: se a falta de ar aparece em grandes, médios ou pequenos esforços.
  • Resultado da espirometria: exame que mede a função pulmonar e ajuda a classificar a gravidade.
  • Histórico de crises e internações: frequência das pioras e uso de oxigênio em casa.
  • Profissão exercida: um pedreiro com enfisema moderado pode estar incapaz, enquanto um recepcionista, não.
  • Chance de reabilitação: possibilidade real de mudar para uma função compatível com a doença.
  • Condições pessoais e sociais: Idade, escolaridade e experiência também pesam na análise do enfisema pulmonar: a Justiça costuma considerar essas condições pessoais quando a incapacidade é parcial, conforme a Súmula 47 da TNU.

📌 Quando o enfisema avança, o auxílio-doença pode virar aposentadoria, e quem depende de ajuda permanente de outra pessoa pode receber o adicional previsto para as doenças que dão direito ao adicional de 25%.

Quem tem enfisema pulmonar ainda pode trabalhar?

Sim. Quem tem enfisema pulmonar em fase leve ou moderada pode continuar trabalhando, desde que a atividade não exija esforço físico intenso nem exposição a fumaça, poeira ou produtos químicos.

✅ Trabalhar com enfisema pulmonar leve não impede um pedido futuro: se a doença avançar, o direito ao benefício por incapacidade continua valendo ou então aposentadoria PcD quando completar o tempo e/ou idade.

O que o laudo médico precisa conter para o pedido no INSS?

O laudo médico é a principal prova no pedido de benefício por enfisema pulmonar, mas precisa ter principalmente os seguintes itens:

  1. Diagnóstico e CID: enfisema pulmonar (CID J43) ou DPOC (CID J44), com o subcódigo correto.
  2. Data de início: quando a doença e a incapacidade começaram.
  3. Limitações no dia a dia: esforços que causam falta de ar, como subir escada ou carregar peso.
  4. Relação com a profissão: por que a doença impede a função exercida.
  5. Exames e tratamento: espirometria, tomografia, medicamentos em uso e necessidade de oxigênio.
  6. Identificação do médico: data, assinatura, carimbo e CRM legíveis.

Um laudo que só informa “paciente com enfisema pulmonar” costuma ser insuficiente, porque o perito do INSS precisa saber como a doença limita o trabalho, e não apenas que ela existe (não apenas o diagnóstico ou CID).

📝 Além do laudo, vale reunir os documentos necessários para o INSS, como exames recentes, receitas e carteira de trabalho, dentre outros.

Como pedir o benefício do INSS por enfisema pulmonar

O pedido de benefício por enfisema pulmonar é feito pelo Meu INSS, pelo aplicativo ou pelo telefone 135, sem sair de casa. O passo a passo é:

  1. Reúna os documentos: documento com foto, CPF e principalmente laudo e exames com o pneumologista.
  2. Faça o pedido: entre no Meu INSS com a conta gov.br, clique em “Pedir Novo Benefício por Incapacidade”, confirme seus dados e anexe os documentos. Quem prefere atendimento por voz pode ligar no 135.
  3. Passe pela perícia médica: compareça na data e no local agendados, levando os originais do laudo e dos exames. O INSS pode analisar só os documentos pelo AtestMed, sem perícia presencial.

📲 O INSS tem até 45 dias para responder, e o andamento pode ser acompanhado no Meu INSS, na opção “Consultar Pedidos”.

O que fazer se o INSS negar o benefício por enfisema pulmonar?

Quando o INSS nega o benefício por enfisema pulmonar, o segurado tem três caminhos para reverter a decisão, e a escolha depende do motivo da negativa:

  • Novo pedido: indicado quando faltou laudo ou exame; basta corrigir a documentação e pedir de novo no Meu INSS.
  • Recurso administrativo: pode ser apresentado em até 30 dias após a ciência da decisão, pedindo nova análise ao Conselho de Recursos da Previdência Social.
  • Ação judicial: leva o caso à Justiça, com perícia especializada em doenças respiratórias e imparcial, feita por um perito nomeado pelo juiz.

⚠️ Antes de decidir, vale ler o motivo da negativa no Meu INSS: ele mostra o que faltou provar e evita repetir o mesmo erro.

Procure um advogado especializado com Bocchi e garanta seus direitos!

A ajuda de um advogado previdenciário faz diferença no pedido por enfisema pulmonar, principalmente nestas situações:

  • Negativa do INSS: o benefício foi negado mesmo com laudo mostrando a falta de ar.
  • Perícia desfavorável: o perito considerou você apto, mas a sua profissão exige esforço físico.
  • Dúvida sobre o benefício: não está claro se o caso é de auxílio temporário, aposentadoria por incapacidade ou aposentadoria PcD.
  • Contribuições em risco: faltam meses de carência ou a qualidade de segurado pode ter sido perdida.

Com mais de 50 anos de atuação especializada em Direito Previdenciário e atendimento em todo o Brasil, a Bocchi Advogados analisa laudo e exames antes do pedido para mostrar como o enfisema pulmonar limita o seu trabalho.

📲 Quer saber qual benefício se encaixa no seu caso? Fale com a equipe da Bocchi Advogados e receba uma análise individual e segura.

Perguntas frequentes sobre enfisema pulmonar e aposentadoria

As dúvidas abaixo reúnem o que mais se pesquisa sobre enfisema pulmonar, direitos no INSS e rotina de quem convive com a doença.

Quais os direitos de quem tem enfisema pulmonar?

Quem tem enfisema pulmonar pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente, ao auxílio por incapacidade temporária, à aposentadoria PcD, ao BPC/LOAS e ao adicional de 25%, conforme o grau da doença. 

Quem tem enfisema pulmonar consegue trabalhar?

Sim, na maioria dos casos leves e moderados, desde que a função não exija esforço intenso nem exposição a fumaça ou poeira. 

Enfisema pulmonar reduz a expectativa de vida?

O enfisema pulmonar pode reduzir a expectativa de vida conforme o estágio da doença, e parar de fumar é a única forma de frear a perda progressiva da função respiratória, enquanto nos casos mais graves a oxigenoterapia é o tratamento que comprovadamente aumenta a sobrevida, segundo o Ministério da Saúde. 

Qual é o CID-10 para enfisema pulmonar grave?

Não existe um CID-10 exclusivo para enfisema grave: o código J43 abrange todas as formas (J43.0 a J43.9), o J44 identifica a DPOC, e a gravidade é demonstrada no laudo médico e na espirometria. 

Quem tem enfisema pulmonar é considerado PcD?

Quem tem enfisema pulmonar pode ser considerado pessoa com deficiência quando a limitação é confirmada na avaliação biopsicossocial do INSS, sem reconhecimento automático pelo diagnóstico.

O enfisema pulmonar é uma doença grave?

Sim, o enfisema pulmonar é uma doença crônica e progressiva, e a DPOC, grupo do qual ele faz parte, é hoje a terceira causa de mortes no mundo, conforme a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.

Enfisema pulmonar tem cura?

Não, porque as lesões nos alvéolos são permanentes, embora parar de fumar possa impedir o avanço da doença, segundo o Ministério da Saúde.

Quais são os tipos de enfisema pulmonar?

Os principais tipos e CID enfisema pulmonar são o centrolobular (CID J43.2), o panlobular (CID J43.1) e o parasseptal, que costuma ser registrado como outras formas de enfisema (CID J43.8).

Quem tem enfisema pulmonar pode fazer academia?

Sim, com liberação do pneumologista, já que a atividade física orientada faz parte da reabilitação pulmonar e ajuda a reduzir a falta de ar no dia a dia.

Foto de Hilário Bocchi Neto (Tico)

Hilário Bocchi Neto (Tico)

OAB/SP 331.392 – Advogado e Jornalista especialista em Previdência. Gestor pela USP e pela PUC. Autor do Livro Manual do Advogado Previdenciário. Adora estudar e ficar com a família.
Seja notificado sempre que sair um novo artigo em nosso blog.
Inscreva-se no formulário abaixo
plugins premium WordPress