Tema 1.209 do STF: Aposentadoria Especial do Vigilante (atualizado 2026)

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A aposentadoria especial do vigilante, mesmo armado, foi negada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 1.209.

Vários processos que estavam parados aguardando a decisão do STF agora vão voltar a ter andamento.

Como funciona a aposentadoria especial do vigilante?

A aposentadoria especial do vigilante funciona como uma aposentadoria antecipada, mesmo pelas novas regras da Reforma da Previdência, em razão da periculosidade da profissão.

O direito à aposentadoria especial do vigia e vigilante, com ou sem uso de arma de fogo, foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ):

Tema 1.031 do STJ: É possível o reconhecimento da especialidade da atividade de Vigilante, mesmo após EC 103/2019, com ou sem o uso de arma de fogo, em data posterior à Lei 9.032/1995 e ao Decreto 2.172/1997, desde que haja a comprovação da efetiva nocividade da atividade, por qualquer meio de prova até 5.3.1997, momento em que se passa a exigir apresentação de laudo técnico ou elemento material equivalente, para comprovar a permanente, não ocasional nem intermitente, exposição à atividade nociva, que coloque em risco a integridade física do Segurado.

No entanto a questão do vigilante aposentadoria especial chegou ao Supremo Tribunal Federal e foi reconhecida a repercussão geral, no Tema 1.209 do STF.

Como está o andamento do tema 1209 no STF?

O STF entendeu que o vigilante não tem direito à aposentadoria especial, mesmo com o uso de arma de fogo:

Tema 1.209 do STF: A atividade de vigilante, com ou sem o uso de arma de fogo, não se caracteriza como especial para fins de concessão da aposentadoria prevista no art. 201, §1º, da Constituição.

O Supremo Tribunal Federal marcou a continuação do julgamento do Tema 1.209, que discute a aposentadoria especial dos vigilantes, entre os dias 2 e 9 de outubro no Plenário Virtual:

Tema 1209 STF - aposentadoria especial vigilantes

Como a aposentadoria especial se diferencia da aposentadoria comum?

A principal diferença é que, mesmo depois da Reforma da Previdência, a Aposentadoria Especial continuou tendo regras mais facilitadas que a aposentadoria comum, pois:

  1. Não exige uma idade mínima: o STF decidiu que não pode exigir idade na aposentadoria especial na ADI 6309.
  2. Não exige o tempo de contribuição da aposentadoria por tempo de contribuição e suas regras de transição (pelo menos 30 anos de contribuição para mulheres e 35 para os homens).

A Lei prevê essas vantagens da aposentadoria especial para que o vigilante se aposente mais cedo em razão dos riscos de suas atividades perigosas, que geram maior desgaste físico e mental para o trabalhador.

Desde quando o vigilante tem direito à aposentadoria especial?

A aposentadoria especial vigilante foi criada em 1960, mas ao longo do tempo sofreu alterações, até a derradeira decisão do STF:

Atividade especial até 28/04/1995

Até 1995 existia uma lista de profissões que automaticamente eram enquadradas como especiais, sem a necessidade de qualquer prova adicional.

Dessa forma, para os períodos de trabalho até 28.04.1995, basta comprovar o tempo de contribuição para vigilantes, vigia ou segurança, por meio dos seguintes documentos:

  • Carteira de Trabalho
  • Contrato de trabalho
  • Fichas funcionais
  • Qualquer outro documento trabalhista que conste a profissão

Conforme já decidido pela Turma Nacional de Uniformização, apesar de não ter expressamente a aposentadoria especial vigilantes na lista dos Decretos nº 53.831/64 e nº 83.080/79, eles se enquadravam no item 2.5.7:

Súmula 26 da TNU: A atividade de vigilante enquadra-se como especial, equiparando-se à de guarda, elencada no item 2.5.7. do Anexo III do Decreto n. 53.831/64.

Atividade especial de 29/04/1995 até hoje

Com a decisão no Tema 1.209 do Supremo Tribunal Federal, a atividade de vigilante (armado ou não) não é considerada especial.

Isso porque, a partir de 1995 o enquadramento como especial com base apenas em listas de profissão deixou de valer.

Passou a ser necessário provar, além da profissão, a exposição a agentes nocivos com base em formulários emitidos pelo empregador.

Assim sendo, agora a atividade de vigilante só poderá ser considerada especial se tiver exposição à agentes prejudiciais à saúde (químicos, físicos, biológicos ou associação desses).

Como comprovar a sua atividade de vigilante?

Para conseguir a aposentadoria especial, atualmente o vigilante precisa apresentar provas documentais de que exerceu a atividade com exposição à agentes nocivos, pois o STF barrou a aposentadoria especial para vigilantes com base na periculosidade.

A exposição à agentes químicos, físicos e biológicos pode ser provada com os seguintes documentos:

Esses são os documentos mais comuns, mas a prova da especialidade ainda pode ser feita por outros diversos meios, como por exemplo:

  • Anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS);
  • Recebimento de adicional de insalubridade e periculosidade;
  • Prova emprestada de um colega de trabalho
  • Perícia judicial feito na justiça federal ou trabalhista
  • Laudo e/ou perícia feito em uma empresa similar

A prova da atividade especial ainda pode ser feita por outros formulários, a depender da época que o trabalho foi prestado e o documento emitido:

Formulários para aposentadoria especial
Período da atividadeFormulário exigido na época
De 01/01/2004 até hojePPP
De 26/10/2000 a 31/12/2003DIRBEN-8030
De 13/10/1995 a 25/10/2000DSS-8030
De 16/09/1991 a 12/10/1995DISES BE 5235
De 13/08/1979 a 11/10/1995SB-40

Entenda: o STF negou aposentadoria especial a vigilante por periculosidade, mas se provar a exposição a agentes prejudiciais à saúde e integridade física, ainda é possível conseguir o benefício.

E se o vigilante não tiver provas que comprovem sua atividade?

Se o vigilante não tiver provas, existem diversas alternativas para tentar comprovar a especialidade da atividade. Algumas delas são:

  • Buscar registros antigos junto às empresas, massas falidas ou responsáveis pelas empresas
  • Ingressar com ação judicial para garantir o reconhecimento do tempo especial, tanto na justiça do trabalho quando na federal
  • Utilizar documentos alternativos que comprovem a nocividade da atividade

Se a empresa onde você trabalhava faliu ou fechou, o mais recomendado é contar com o auxílio de um advogado especialista para verificar caso a caso a melhor opção para conseguir comprovar atividades especiais.

Que tipo de vigilante tem direito à aposentadoria especial?

Qualquer atividade, independentemente do nome da profissão, pode ter direito à aposentadoria especial, mas desde que fique provado que trabalhou exposto à agentes prejudiciais a saúde e integridade física.

Quais os requisitos da aposentadoria especial do vigilante?

Em 2026, o vigilante tem direito à aposentadoria especial após 25 anos de exposição habitual e permanente a agentes nocivos — sem exigência de idade mínima, conforme a ADI 6309 do STF.

⚠️ A exposição precisa ser comprovada pelo PPP, emitido pelo empregador.

Qual o valor da aposentadoria do vigilante?

A forma de cálculo do benefício mudou com a Reforma da Previdência.

  • Antes da Reforma da Previdência (direito adquirido): o valor era a média dos 80% maiores salários.
  • Depois da Reforma da Previdência (valendo hoje):  é feita a média de todos os salários e depois multiplicado por 60% + 2% ao ano que exceder 20 anos de contribuição para homens e 15 para mulheres.

Vigilante aposentado pode continuar trabalhando?

O vigilante aposentado pode continuar trabalhando em 2 situações:

  1. Se aposentar com a regra especial pode continuar trabalhando em qualquer outra atividade que não seja especial.
  2. Se aposentar com outra regra de aposentadoria, convertendo o tempo especial em comum.

Assim sendo, só não poderá continuar trabalhando em atividade especial se conseguir a aposentadoria especial, mas poderá exercer outra atividade que não exponha sua saúde e integridade física.

Qual é o adicional de insalubridade para vigilantes?

Além da aposentadoria especial, muitos vigilantes podem ter direito ao adicional de periculosidade de 30% do salário.

Como pedir a sua aposentadoria especial de vigilante?

O pedido pode ser feito diretamente pelo portal do Meu INSS ou aplicativo.

Mas é altamente recomendável contar com um advogado previdenciário que irá orientar sobre os documentos, provas e a melhor forma de como pedir sua aposentadoria, pois o INSS dificilmente reconhece e concede a aposentadoria especial logo de cara.

Por isso, é necessário fazer um requerimento de aposentadoria muito bem planejado, principalmente se depois tiver que buscar o seu direito na Justiça.

Como ficou o Tema 1209 do vigilante?

No julgamento do Tema 1209 no STF ficou decidido que o vigilante, armado ou não, não tem direito à aposentadoria especial.

Veja como votaram os Ministros STF aposentadoria especial para vigilante:

Votou a favor dos vigilantes ✔️
(4 votos)
Votou contra os vigilantes ❌
(6 votos)
Nunes MarquesAlexandre de Moraes
Flávio DinoCristiano Zanin
Cármen LúciaLuiz Fux
Edson FachinDias Toffoli
André Mendonça
Gilmar Mendes

A votação aposentadoria especial do STF que negou o direito dos vigilantes vira padrão de entendimento em milhares de processos (inclusive nos que estão sobrestados aguardando o Tema 1209).

Vigilante, peça sua aposentadoria com a Bocchi Advogados

Apesar de agora ser mais difícil para o vigilante conseguir a aposentadoria especial STF, ainda existem outras alternativas possíveis de aposentadoria e regras de transição interessantes.

A equipe da Bocchi Advogados é especialista em aposentadoria para vigilantes e pode ajudar você a garantir seus direitos sem complicações.

Peça sua aposentadoria com a Bocchi Advogados e tenha a certeza de estar no caminho certo para conquistar seus direitos e benefícios para vigilantes aposentados!

Foto de Hilário Bocchi Neto (Tico)

Hilário Bocchi Neto (Tico)

OAB/SP 331.392 – Advogado e Jornalista especialista em Previdência. Gestor pela USP e pela PUC. Autor do Livro Manual do Advogado Previdenciário. Adora estudar e ficar com a família.
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