A Dor aguda, crônica ou não especificada – CID R52 aposenta ou pode dar direito a outros benefícios no INSS, como auxílio-doença, aposentadoria da pessoa com deficiência, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e até BPC-LOAS.
Mas não é automático e só o diagnóstico da doença ou deficiência não basta para conseguir o benefício, é preciso cumprir outros requisitos, conforme o tipo de benefício.
Ao longo deste guia, vamos detalhar o que significa o CID R52, suas subcategorias, o que você precisa para cada tipo de benefício, como se preparar para a perícia médica e o que fazer caso seu pedido seja negado.
- 1 O que é o CID R52?
- 2 Qual é a doença do CID R52?
- 3 Quem tem dor crônica tem direito a aposentadoria?
- 4 Aposentadoria por invalidez para CID R52
- 5 Aposentadoria da pessoa com deficiência para quem tem CID R52
- 6 Auxílio-doença para CID R52
- 7 Auxílio-acidente para CID R52
- 8 Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS) para CID R52
- 9 Como comprovar a incapacidade causada pelo CID R52
- 10 Dicas para ter sucesso na perícia do INSS
- 11 O que fazer se a aposentadoria for negada?
- 12 Perguntas frequentes sobre CID R52
O que é o CID R52?
O CID R52 é um código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) usado para identificar sintomas de dor que não têm uma causa claramente definida:
- Ele é usado quando o médico confirma que o paciente sente dor, mas a origem não é totalmente explicada por outra doença.
- É comum em casos de dor crônica, dor aguda intensa ou dor persistente sem causa aparente.
Assim sendo, o CID R52 é um código que se refere à “Dor não classificada em outra parte” ou “dor não referida a qualquer órgão ou região do corpo em particular”.
Qual é a doença do CID R52?
O CID R52 não representa uma doença específica, e sim um sintoma: a dor, sendo dividido em 4 subcategorias:
- CID R52.0: Dor aguda
- CID R52.1: Dor crônica intratável
- CID R52.2: Outra dor crônica
- CID R52.9: Dor não especificada.
Em resumo, o CID R52 é usado quando o médico identifica sofrimento físico significativo, mas não consegue associar diretamente a uma causa orgânica clara.
Classificação quanto à duração
- Aguda: dor com duração inferior a 30 dias;
- Crônica: dor que persiste por mais de 30 dias.
A CID R52 exclui:
A CID R52 não deve ser usada para dores com causa já identificada em outros códigos, como:
- CID F45.4: Dor psicogênica
- CID F62.8: Personalidade caracterizada por síndrome álgica crônica
- CID H57.1: Dor nos olhos
- CID H92.0: Dor de ouvido
- CID K08.8: Dor de dentes
- CID K14.6: Dor na língua
- CID M25.5: Dor articular
- CID M54: Dor na coluna vertebral
- CID M54.5: Dor lombar
- CID M54.9: Dor no dorso / Dor nas costas
- CID M75.8: Dor no ombro
- CID M79.6: Dor de membro
- CID N23: Cólica renal
- CID N64.4: Dor na mama
- CID R07.0: Dor de garganta
- CID R07.1–R07.4: Dor torácica
- CID R10: Dor abdominal
- CID R10.2: Dor pélvica e perineal
- CID R51: Cefaleia
CID R52.1 o que significa?
O CID R52.1 se refere à dor crônica intratável, ou seja, aquela que permanece por tempo prolongado e não responde bem aos tratamentos convencionais.
Essa dor costuma afetar profundamente a qualidade de vida, limitando movimentos, sono, concentração e, em muitos casos, a capacidade de trabalhar.
É o tipo de dor que persiste mesmo após o uso de medicamentos, fisioterapia e outras abordagens médicas.
CID R52.2 o que significa?
O CID R52.2 é usado para identificar casos de dor não especificada, ou seja, quando o paciente sente dor intensa ou constante, mas a origem exata ainda não foi determinada.
Essa dor persiste por mais do que poucos meses, podendo ou não estar associada a trauma ou doença.
Em muitos casos, ela continua mesmo depois que a lesão inicial já cicatrizou.
Além disso, sua localização, características e periodicidade tendem a ser menos precisas do que as da dor aguda, o que torna o diagnóstico mais complexo e desafiador.
Quem tem dor crônica tem direito a aposentadoria?
Sim, quem sofre de dor crônica pode ter direito à aposentadoria, desde que comprove ser Pessoa com Deficiência ou Incapacidade de continuar trabalhando.
O ponto central não é o diagnóstico em si, mas o quanto a dor limita as atividades profissionais e a rotina diária, podendo, conforme a situação, ter direito aos seguintes benefícios:
- Aposentadoria por invalidez (Aposentadoria por incapacidade permanente)
- Aposentadoria da pessoa com deficiência
- Auxílio-doença
- Auxílio-acidente
- Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS)
Vamos ver cada um desses benefícios com detalhes:
Aposentadoria por invalidez para CID R52
Para ter direito à aposentadoria por invalidez com CID R52, o segurado deve comprovar:
- Qualidade de segurado: estar contribuindo ao INSS ou dentro do período de graça
- Carência mínima de 12 contribuições mensais, salvo em caso de acidente ou doença grave
- Incapacidade total e permanente para o trabalho, confirmada em perícia médica do INSS.
💬 Resumo: o CID R52 pode sim levar à aposentadoria por invalidez, mas é preciso provar que a dor impede o exercício de qualquer trabalho, mesmo em funções adaptadas.
Aposentadoria da pessoa com deficiência para quem tem CID R52
Quem tem CID R52 pode ter direito a 2 tipos de aposentadoria para pessoa com deficiência (PcD):
Aposentadoria da Pessoa com Deficiência por Idade
Os requisitos para aposentadoria da pessoa com deficiência por idade são:
- Homens: 60 anos de idade e 15 anos de contribuição na condição de pessoa com deficiência.
- Mulheres: 55 anos de idade e 15 anos de contribuição na condição de pessoa com deficiência.
Aposentadoria da Pessoa com Deficiência por Tempo de Contribuição
O tempo de contribuição varia conforme o grau da deficiência (leve, moderada ou grave), determinado pela avaliação biopsicossocial (perícia médica e social):
- Deficiência Grave: 25 anos de contribuição para homens e 20 anos para mulheres.
- Deficiência Moderada: 29 anos de contribuição para homens e 24 anos para mulheres.
- Deficiência Leve: 33 anos de contribuição para homens e 28 anos para mulheres.
| O que á avaliação biopsicossocial? A avaliação biopsicossocial é um modelo usado pelo INSS que considera três dimensões da vida do segurado: • Biológica, relacionada às limitações físicas e à dor; • Psicológica, que avalia o impacto emocional e mental da condição; • Social, que examina como a dor afeta o convívio, o trabalho e a independência. 💬 Em resumo: a avaliação biopsicossocial busca entender como a dor limita a pessoa como um todo, não apenas no aspecto médico. |
Auxílio-doença para CID R52
Quem tem CID R52 pode se afastar pelo INSS recebendo o auxílio-doença se comprovar:
- Qualidade de segurado: estar contribuindo ao INSS ou dentro do período de graça
- Carência mínima de 12 contribuições mensais, salvo em caso de acidente ou doença grave
- Incapacidade total e temporária para o trabalho, confirmada em perícia médica do INSS.
🩺 Ele é indicado quando o médico atesta que a dor impede o desempenho das atividades habituais, mas há possibilidade de recuperação com tratamento ou reabilitação.
Auxílio-acidente para CID R52
O auxílio-acidente é um benefício pago pelo INSS a quem sofreu uma redução permanente da capacidade de trabalho após uma doença ou acidente.
Assim sendo, o segurado pode ter direito ao auxílio-acidente se:
- A dor for consequência de um acidente (do trabalho ou não)
- A condição resultar em redução da força, mobilidade ou resistência física;
- O trabalhador ainda conseguir exercer alguma atividade, mas com limitações permanentes.
💰 O valor do auxílio-acidente corresponde a 50% do salário de benefício e é pago junto com o salário do trabalhador até a aposentadoria.
Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS) para CID R52
O BPC-LOAS (Benefício de Prestação Continuada) é um auxílio assistencial garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social que pode ser concedido a pessoa com CID R52 que comprovar:
- Deficiência de longo prazo: no caso, dor crônica que limita a vida diária e o trabalho
- Situação de vulnerabilidade social: Renda familiar por pessoa inferior a 1/4 do salário mínimo;
- Inscrição atualizada no CadÚnico: Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal
📌 Diferente da aposentadoria, o BPC não exige contribuições ao INSS. Ele é destinado a quem não tem condições de trabalhar nem de se sustentar financeiramente.
O BPC paga um salário mínimo mensal, mas não dá direito ao 13º e não gera aposentadoria futura.
Como comprovar a incapacidade causada pelo CID R52
Comprovar a incapacidade ou a deficiência é o ponto-chave para conseguir qualquer benefício do INSS relacionado ao CID R52, o que pode ser feito principalmente com os seguintes documentos:
- Laudo médico detalhado, com descrição da dor, evolução do quadro e limitações funcionais;
- Exames complementares, como ressonâncias, tomografias, eletroneuromiografias e relatórios de especialistas;
- Comprovantes de tratamentos realizados, incluindo fisioterapia, uso de medicamentos e acompanhamento psicológico;
- Atestados médicos recentes, indicando afastamentos e tempo estimado de recuperação;
- Relatórios de incapacidade laboral, emitidos por médicos do trabalho ou peritos particulares.
✅ Dica: Quanto mais longo e documentado for o histórico, maior a credibilidade perante o perito do INSS.
Dicas para ter sucesso na perícia do INSS
Para aumentar suas chances de aprovação na perícia médica do INSS , siga estas dicas:
1. Leve toda a documentação médica
Reúna e apresente, preferencialmente em ordem cronológica:
- Laudos e relatórios atualizados do seu médico assistente;
- Exames de imagem (ressonância, tomografia, ultrassom, etc.);
- Receitas e comprovantes de tratamentos já realizados (fisioterapia, remédios, infiltrações, entre outros).
2. Descreva a dor com clareza
Explique como a dor interfere nas suas atividades diárias e no trabalho.
Evite generalizações como “sinto dor o tempo todo” e foque nos detalhes, explicando como a dor atrapalha nas suas atividades, como por exemplo (adapte à sua situação):
- “Sinto dor constante nas costas, o que me impede de permanecer sentado ou em pé por mais de 15 minutos.”
- “Tenho dores nos braços e mãos que dificultam segurar objetos ou digitar por longos períodos.”
- “A dor nas pernas aumenta ao caminhar curtas distâncias, e preciso parar com frequência para descansar.”
- “Tenho crises de dor que me impedem de dormir, o que prejudica minha concentração e desempenho no trabalho.”
- “Mesmo com medicamentos, a dor no ombro limita os movimentos e impossibilita levantar peso.”
Essas descrições mostram como a dor afeta tarefas práticas, o que ajuda o perito a entender o real impacto da condição.
3. Mantenha coerência entre os documentos e o relato
O que você diz na perícia deve coincidir com o que está descrito nos laudos médicos. Contradições podem gerar dúvidas e levar à negativa do benefício, pois o perito pode entender como mentira.
4. Seja objetivo e sincero
Responda o que for perguntado, sem exageros, mas deixando claro que a dor é real e constante.
Peritos experientes percebem quando o relato é autêntico e consistente.
5. Tenha acompanhamento jurídico
Um advogado previdenciário pode orientar antes da perícia, revisar documentos e preparar o segurado para responder de forma adequada.
🎯 Lembre-se: a perícia do INSS não avalia apenas o diagnóstico, mas o quanto a dor afeta a capacidade de trabalhar. Quanto mais provas médicas e clareza no relato, maiores as chances de aprovação.
O que fazer se a aposentadoria for negada?
É muito comum o INSS negar o benefício, mesmo com laudos e exames que comprovem a dor.
Mas a negativa injusta pode ser revertida por 3 caminhos, dependendo da situação:
- Recurso administrativo: Você tem 30 dias para apresentar recurso no próprio INSS. Se necessário, inclua novos laudos, exames e explique por que a decisão está errada.
- Peça nova perícia: Se perdeu o prazo ou o quadro piorou, faça um novo pedido e solicite nova avaliação médica com documentos atualizados que provem a evolução da dor e a limitação no trabalho.
- Ação judicial: Muitos segurados com CID R52 só conseguem o benefício na Justiça, onde você será avaliado por peritos de confiança do Juiz.
💡 Importante: muitos recursos são indeferidos por detalhes técnicos. Ter um advogado previdenciário desde o primeiro pedido aumenta as chances de sucesso, pois ele orienta sobre quais provas o INSS realmente valoriza, faz o pedido, acompanha o processo e se necessário atua judicialmente.
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Perguntas frequentes sobre CID R52
Para encerrar, respondemos as dúvidas mais comuns sobre o CID R52 e sua relação com benefícios do INSS.
O CID R52 é usado para identificar sintomas de dor (aguda, crônica ou não especificada) que não têm uma causa médica claramente definida.
Sim, se a dor crônica for impedir ou dificultar suas atividades e/ou o trabalho, é possível se aposentar por invalidez, com aposentadoria para pessoa com deficiência (PcD) ou conseguir outros benefícios para dor crônica no INSS, como auxílio-doença, auxílio-acidente ou BPC.
Sim, é possível conseguir aposentadoria por dor crônica (invalidez ou PcD) ou outros tipos de benefícios do INSS como auxílio-doença, auxílio-acidente e BPC-LOAS.

