Saber como passar na perícia resolutiva é essencial para quem depende de um benefício por incapacidade no INSS, pois nessa perícia médica do INSS, que acontece após prorrogações do auxílio-doença, o médico vai decidir o futuro do benefício: se vai ser prorrogado, cortado, encaminhado para reabilitação ou transformado em aposentadoria por invalidez ou auxílio-acidente.
Neste guia, você vai entender como funciona a perícia resolutiva do INSS, o que levar, o que falar e quais erros evitar para melhorar suas chances de aprovação.
- 1 O que é a perícia médica resolutiva do INSS?
- 2 Como funciona a perícia resolutiva do INSS?
- 3 O que o perito avalia na perícia resolutiva?
- 4 Como passar na perícia resolutiva?
- 5 O que levar na perícia resolutiva?
- 6 O que falar na perícia resolutiva?
- 7 Erros comuns que podem comprometer a perícia resolutiva
- 8 O que acontece depois da perícia resolutiva do INSS?
- 9 O que fazer se não passar na perícia resolutiva?
- 10 Qual o prazo para decisão após a perícia?
- 11 Perguntas frequentes (FAQ)
O que é a perícia médica resolutiva do INSS?
A perícia médica resolutiva do INSS é uma avaliação médica realizada por um perito do Instituto Nacional do Seguro Social para “resolver” a situação do segurado afastado e definir o que vai acontecer:
- Alta médica (retorno ao trabalho)
- Encaminhamento para Reabilitação Profissional
- Concessão do Auxílio-Acidente
- Aposentadoria por Invalidez
O foco do perito é analisar a evolução da sua condição de saúde e o impacto dela na sua capacidade de retornar às suas atividades.
Qual a diferença entre Perícia Resolutiva e Conclusiva?
A diferença entre a perícia resolutiva e a conclusiva está no momento e na função de cada uma:
- Perícia Conclusiva (prorrogação): acontece após o segurado pedir várias prorrogações consecutivas do auxílio-doença. O perito normalmente avalia se o auxílio-doença deve ser mantido ou encerrado.
- Perícia Resolutiva (definição): geralmente ocorre após um longo período de afastamento e busca concluir o caso, seja indicando a aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente, reabilitação profissional para outra função ou alta definitiva.
Já a Perícia Médica INSS Inicial é a primeira avaliação médica do INSS, feita quando o segurado faz o pedido do benefício por incapacidade. O perito analisa se existe incapacidade e, se confirmada, concede o benefício.
Como funciona a perícia resolutiva do INSS?
O processo de como funciona perícia resolutiva no INSS é o seguinte:
- Agendamento da perícia: deve ser solicitada pelo Meu INSS ou pela Central 135, e o sistema agenda a avaliação. É fundamental anotar essas informações e não perder o prazo.
- Comparecimento à perícia médica: No dia agendado, você deve ir até a agência do INSS com documentos médicos, exames e relatórios que comprovem a incapacidade.
- Avaliação do médico perito: O perito vai fazer uma entrevista, perguntando sobre seus sintomas, tratamentos e limitações. Ele também analisará todos os laudos e exames que você apresentar e vai fazer um exame físico.
- Registro da decisão no sistema: O médico registra se existe ou não incapacidade para o trabalho.
- Resultado do pedido: O INSS informa se haverá concessão, prorrogação ou negativa do benefício.
📌 O resultado aparece no Meu INSS em poucos dias após a perícia.
Quanto tempo demora uma perícia resolutiva?
O atendimento do médico na perícia resolutiva INSS costuma durar entre 15 e 30 minutos.
Já o tempo de espera entre o agendamento e a data da perícia varia conforme a região, mas não deve passar de 45 dias.
Nas localidades em que é preciso deslocar servidores de outras regiões para dar conta da demanda de perícia, o prazo para realizar a perícia pode chegar a 90 dias (mas é exceção!).
O que o perito avalia na perícia resolutiva?
O perito do INSS tem um roteiro claro de avaliação para verificar como a doença afeta sua capacidade de trabalhar e não apenas se você está doente:
- Histórico ocupacional: qual sua profissão, que movimentos e esforços ela exige, se trabalha em pé ou sentado, por quanto tempo e se está desempregado. Termos vagos como “ajudante” ou “operário” não bastam: o perito precisa entender exatamente o que você faz.
- Histórico da doença: quando os sintomas começaram, como evoluíram, quais tratamentos foram feitos (medicamentos, cirurgias, fisioterapia), se houve melhora ou piora e quais efeitos colaterais você enfrenta.
- Documentação médica: ele analisa laudos, atestados, exames e receitas todos com CID, data de emissão, nome e CRM do profissional. O perito registra as informações relevantes no laudo.
- Exame físico: foca nos sinais relacionados à sua queixa e à sua atividade de trabalho. Quando possível, o perito qualifica e quantifica as limitações com manobras clínicas específicas.
- Histórico psicossocial: condições de moradia, grau de instrução, situação familiar e econômica são fatores analisados que podem agravar ou ter relação com a doença.
Cada um desses aspectos ajuda o perito a construir um parecer técnico sobre a sua real condição de trabalho.
Como passar na perícia resolutiva?
Saber como passar na perícia resolutiva exige preparação antes da avaliação e clareza ao explicar sua condição ao médico perito do INSS.
Na prática, seguir um passo a passo da perícia do INSS ajuda a evitar erros na perícia resolutiva e aumenta as chances de concessão do benefício:
- Organize toda a documentação médica
- Chegue com antecedência no local da perícia
- Explique suas limitações com clareza
- Responda às perguntas do perito com objetividade
📌 Esses cuidados ajudam o médico a entender corretamente sua situação e tomar uma decisão baseada em informações completas e consistentes.
Documentos em dia e completos
Documento faltando é o erro mais comum, mas também é o mais fácil de evitar. Organize tudo antes do dia da perícia:
- Documento de identidade (RG ou CNH) e CPF
- Comprovante de residência
- Laudos e atestados médicos recentes, com CID, data e CRM do profissional
- Exames de imagem e laboratoriais que comprovem a condição
- Receitas dos medicamentos em uso
- Relatórios de internações, cirurgias ou fisioterapia
- Histórico de tratamento em ordem cronológica
📌 Quanto mais claros e completos forem os documentos para perícia INSS, mais fácil será para o perito entender o seu caso.
Chegar com antecedência e bem organizado
Chegue pelo menos 30 minutos antes do horário marcado. Isso evita correria, reduz a ansiedade e permite que você se acalme e organize seus pensamentos.
Se não puder comparecer, remarque pelo Meu INSS ou pela Central 135 dentro do prazo.
Faltar sem justificativa pode suspender o processo e atrasar a decisão do benefício.
Descrever o caso com clareza e verdade
O perito precisa entender como a doença afeta o seu dia a dia e especialmente no trabalho. Seja direto e honesto:
- Explique quais atividades você não consegue mais fazer
- Responda às perguntas do perito de forma direta, sem exageros ou omissões.
- Descreva dores, limitações de movimento e dificuldades na rotina
- Informe se houve piora mesmo com tratamento
- Não exagere nem minimize
- Informações contraditórias levantam dúvida
- Evite informações conflitantes com o que está nos seus laudos.
💡 Dica prática: Pense antes da perícia: “Se eu tivesse 2 minutos para explicar minha situação, o que eu diria?” Essa resposta é o seu roteiro.
Se você sente dor ao ficar sentado por muito tempo, por exemplo, mencione isso.
Preparação para as perguntas da perícia resolutiva
Pense nas possíveis perguntas que o perito pode fazer e prepare suas respostas. Questões comuns incluem:
- “O que você sente?”
- “Desde quando você tem esses sintomas?”
- “Qual tratamento você está fazendo?”
- “Como essa condição te impede de trabalhar?”
- “Você consegue realizar tarefas domésticas como cozinhar, se vestir ou limpar a casa?”
Quanto mais natural e coerente o seu relato, melhor a impressão que você passa ao perito.
⚠️ Está inseguro sobre como apresentar o seu caso? Uma consulta com advogado previdenciário antes da perícia pode ajudar a organizar as informações e evitar erros que comprometam o resultado.
O que levar na perícia resolutiva?
Levar os documentos corretos para a perícia resolutiva do INSS é essencial para comprovar a incapacidade e aumentar as chances de concessão do benefício na perícia médica do INSS.
- Documento de identidade com foto (RG, CNH ou documento oficial)
- CPF
- Comprovante de residência atualizado
- Carteira de Trabalho (CTPS)
- Laudos e atestados médicos recentes, com CID, data e CRM do profissional — de preferência emitidos há menos de 3 meses
- Exames de imagem e laboratoriais (raio-x, ressonância, tomografia, ultrassom, exames de sangue)
- Receitas médicas dos medicamentos em uso, com dosagem e frequência
- Relatórios de internação, cirurgia, fisioterapia ou outros tratamentos
- Atestados de afastamento do trabalho
- Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), se tiver
⚠️ Muitos pedidos são negados porque o segurado não apresenta documentação médica suficiente para comprovar a incapacidade.
👉 Por isso, uma boa organização dos documentos para perícia do INSS pode fazer diferença no resultado.
O que falar na perícia resolutiva?
O perito precisa ouvir de você o que os documentos nem sempre mostram: como a doença afeta sua vida real. Por isso, foque em três pontos:
- Descreva seus sintomas com clareza: Dor, limitação de movimento, cansaço, dificuldade de concentração. É Importante ser específico: “Sinto dor no ombro direito que piora quando levanto o braço acima da cabeça” é muito melhor do que “sinto dor no corpo todo”.
- Explique o impacto no trabalho: O perito quer saber se você consegue exercer sua função. Diga o que você fazia antes e o que não consegue mais fazer. Se era cozinheira e não aguenta ficar em pé por mais de 10 minutos, diga exatamente isso.
- Relate sua rotina com honestidade: O perito pode perguntar se você cozinha, dirige, faz compras ou se veste sozinho. Não exagere nem esconda. Se consegue fazer algo com dificuldade, diga: “Consigo, mas com dor” ou “Preciso de ajuda”.
⚠️ Evite frases genéricas como “não consigo fazer nada” ou “sinto dor em tudo”, pois quanto mais vago o relato, menos o perito tem para fundamentar a concessão do benefício. Seja direto, específico e verdadeiro.
Erros comuns que podem comprometer a perícia resolutiva
Os erros mais frequentes que levam as pessoas a perder o benefício na perícia resolutiva são:
- Documentação incompleta ou desatualizada: Levar laudos antigos, sem CID ou sem assinatura do médico, enfraquece seu pedido. O perito precisa de documentos recentes e bem preenchidos para fundamentar a concessão.
- Informações contraditórias: Dizer ao perito que não consegue andar, mas os exames não apontam limitação motora, gera desconfiança. O relato precisa ser coerente com o que os documentos mostram.
- Não ter um histórico de tratamento: A ausência de provas de que você está buscando tratamento pode ser interpretada como desinteresse na recuperação.
- Exagerar ou minimizar os sintomas: Quem exagera perde credibilidade. Quem minimiza, perde o benefício. O equilíbrio é descrever a realidade como ela é, nem mais, nem menos.
- Faltar ou chegar atrasado: A ausência sem justificativa pode suspender o processo e o atraso, dependendo da agência, pode significar perder a vaga do dia.
- Não ter histórico de tratamento: Se você alega incapacidade mas não há registro de tratamentos, consultas ou exames ao longo do tempo, o perito pode entender que o quadro não é grave o suficiente.
- Ser vago nas respostas: “Sinto dor” não ajuda. “Sinto dor lombar que piora ao carregar peso e me impede de trabalhar como mecânico” ajuda mais.
- Vestimenta perícia INSS: Vista-se de forma simples e adequada. Nada de roupa social ou traje de festa, mas também evite parecer desleixado.
💡 A perícia resolutiva é decidida em uma única consulta, por isso cada detalhe conta.
O que acontece depois da perícia resolutiva do INSS?
Após a avaliação, o perito registra a decisão no sistema e o resultado pode ser consultado em até 24 horas pelo Meu INSS (aplicativo ou site). O desfecho será uma das quatro situações:
- Alta médica: o perito entende que não há mais incapacidade. O benefício é encerrado e o segurado deve retornar ao trabalho.
- Reabilitação profissional: existe incapacidade para a função atual, mas há capacidade para outro tipo de atividade. O INSS encaminha o segurado para o programa de reabilitação.
- Auxílio-acidente: a incapacidade deixou sequelas permanentes que reduzem a capacidade de trabalho, mas não impedem totalmente. O segurado recebe uma indenização mensal até se aposentar.
- Aposentadoria por invalidez: o perito conclui que não há possibilidade de recuperação nem de reabilitação. O benefício passa a ser por incapacidade permanente.
📌 Em algumas situações o perito pode determinar mais tempo de afastamento para tratamento.
O que fazer se não passar na perícia resolutiva?
Existem três caminhos possíveis se não passar na perícia resolutiva, o mais indicado depende do motivo da negativa e da sua situação:
- Nova avaliação
- Recorrer administrativamente
- Entrar com ação judicial
💡 Ter acompanhamento jurídico desde o início aumenta as chances de sucesso em qualquer uma dessas três vias.
Um advogado especializado sabe identificar qual caminho faz mais sentido para o seu caso:
Nova avaliação
Se o pedido foi negado por falta de documentação ou se a sua condição de saúde piorou desde a última perícia, o caminho mais simples é fazer um novo requerimento pelo Meu INSS.
Para isso, reúna laudos e exames atualizados que comprovem a incapacidade.
A nova perícia INSS provavelmente será feita por outro perito, com base na documentação apresentada e por isso, corrija os erros do pedido anterior antes de entrar novamente.
📌 Só vale a pena se você tiver algo novo para apresentar: um laudo mais detalhado, exames recentes ou um relatório que não tinha antes.
Recorrer administrativamente
Se você discorda do resultado e acredita que os documentos já comprovam a incapacidade, pode entrar com recurso na Junta de Recursos do INSS (CRPS) no prazo de 30 dias após a negativa.
O recurso é gratuito, feito pelo Meu INSS, e será analisado por um grupo de pessoas, não pelo mesmo perito que negou e você pode anexar documentos complementares para reforçar o pedido.
⚠️ O recurso perícia resolutiva costuma ser funcionar se ocorreu erros simples, documentação incompleta ou questões burocráticas. Normalmente o parecer do perito médico não é alterado por esse recurso.
Entrar com ação judicial
A ação na justiça é a opção mais indicada quando há divergência clara entre o laudo do seu médico e a conclusão do perito do INSS.
Na Justiça, um perito judicial independente faz uma nova avaliação por um médico especialista na sua doença, que costuma ser mais detalhada e favorável ao segurado.
💰 Além disso, se o juiz conceder o benefício, os valores retroagem desde a data que ele foi cortado pelo INSS.
Qual o prazo para decisão após a perícia?
O resultado da perícia geralmente é disponibilizado no mesmo dia, a partir das 21h.
Caso haja algum atraso ou problema técnico no sistema, o resultado deve sair em poucos dias.
Se a demora persistir, entre em contato com um advogado especialista em direito previdenciário.
Perguntas frequentes (FAQ)
Sim, o segurado pode levar um acompanhante à perícia, mas a entrada na sala de avaliação depende da autorização do perito — que costuma permitir em casos de pessoas idosas, com deficiência intelectual ou dificuldade de comunicação.
Sim, a perícia resolutiva pode negar o benefício se o perito concluir que não existe incapacidade para o trabalho, por isso a preparação com documentação completa e relato coerente é essencial.
O perito é obrigado a analisar toda a documentação apresentada. Se você sentir que seus documentos foram ignorados, pode relatar o ocorrido no recurso administrativo ou na ação judicial, pois isso caracteriza um erro de procedimento.
A aposentadoria por invalidez corresponde a 100% do salário de benefício quando a incapacidade decorre de acidente de trabalho ou doença ocupacional, nos outros casos, o cálculo segue a regra de 60% + 2% por ano de contribuição acima de 20 anos (homem) ou 15 anos (mulher).


